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A CONSTRUÇÃO DO SELF COM O OUTRO EM CONTEXTOS DE SOCIALIZAÇÃO DISTINTOS

Assume-se a visão de que o processo de desenvolvimento ou construção do self é básico e universal, e envolve a interação com os outros e o estabelecimento de relações desde a gestação. Embora geral, pode seguir rotas próprias e diferenciadas, ao ocorrer em nichos específicos no contexto sociocultural do desenvolvimento. Estudos anteriores indicaram diferenças intraculturais em mães brasileiras, influenciadas pelo número de habitantes da cidade em que residiam as mães e seu nível educacional.

O projeto tem por foco uma das etapas importantes do desenvolvimento do self, a do autorreconhecimento, em dois grupos de mães e suas crianças: do Rio de Janeiro (com metas de independência) e de Florianópolis (com metas de interdependência). O desenvolvimento do self nessas duas direções predominantes será analisado em seus aspectos de autorreconhecimento, autorregulação, capacidade de cooperação e comportamentos de altruísmo. Para desenvolvê-lo são realizados três estudos, sendo um longitudinal em ambiente natural.

Objetivo

O objetivo desse projeto é ampliar a exploração do conjunto de crenças das mães e pais dos diferentes contextos associados a trajetórias de desenvolvimento de self diversas, e analisar dois grupos de mães e suas crianças: do Rio de Janeiro, entre as quais predominam metas de independência, e de Florianópolis, com metas de interdependência.

Principais questões que orientam este projeto:

  1. As tendências observadas no estudo de Seidl-de-Moura e cols. (2008), que utilizou a resposta a uma pergunta aberta e análise de conteúdo, em relação às mães de Florianópolis e Rio de Janeiro, serão confirmadas nessa amostra e com os instrumentos a serem aplicados?

  2. Como as mães dos dois grupos, que priorizam independência e interdependência segundo os resultados dos instrumentos a serem aplicados, descrevem seus filhos? É possível identificar características de selves independente e interdependente nessas descrições?

  3. Classificando-se as mães em dois grupos por tipo de trajetória valorizada, haverá diferenças entre suas crianças nas variáveis dependentes consideradas? (Linguagem referente a estados; linguagem sobre o self e outros; autorreconhecimento; autorregulação; altruísmo; cooperação.)

  4. Há diferenças considerando-se o sexo da criança e o nível educacional das mães?

  5. Como se delineiam trajetórias desse desenvolvimento do nascimento até um ano de idade?
Para respondê-las, são realizados três estudos distintos:

Estudo 1:Envolve colher dados de mães de diferentes níveis educacionais e seus filhos de 18 meses nos contextos do Rio de Janeiro (N=50) e Itajaí, Santa Catarina (N=50), visitando-os em suas casas, entrevistando a mãe e observando a mãe e o bebê em situações específicas. Busca responder às questões 1, 2, 3 e 4 (nos aspectos de linguagem referente a estados, linguagem sobre o self e outros, autorreconhecimento e autorregulação).

Estudo 2: Envolve duas situações experimentais a serem aplicadas a crianças de 18 meses para avaliar cooperação e altruísmo, nos dois contextos (Rio de Janeiro e Itajaí), acompanhadas da coleta de dados sobre etnoteorias parentais das mães. Focaliza as questões 1, 3 e 4 (nos aspectos de linguagem referente a estados, linguagem sobre o self e outros, cooperação e altruísmo).

Estudo 3: Envolve a análise dos dados de observação de uma díade mãe-bebê do Rio de Janeiro, visitada em sua casa do nascimento a 13 meses de idade do bebê. Busca responder à pergunta 5.


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